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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um Conto de Natal


Era uma vez, um russo chamado Nicolau Sant-Klausën que morava numa humilde casa com sua esposa criando renas (ou veados, para os mais entendidos) e construindo trenós e charretes. Pois onde morava - uma região fria e gélida da Rússia - eram esses os principais transportes para se locomover entre aquelas terras.

Em uma ocasião remota, pós guerra fria, empresários americanos pisam em solo russo e desvendam aquele bondoso e carismático homem de bochechas rosadas, martelando os esquis de um trenó e dando remédio para uma rena com diarréia. Os engravatados gostam do que vêem. Então se apresentam e dizem ser funcionários da Coca-Cola, prontos para realizarem anúncios televisivos com seu mais novo garoto-propaganda, que eles preferiam chamar de Saint Claus (um nome artístico, pra ser mais exato!)... e foi aí, que descolaram para Nicolau uma roupa vermelha e branca para representarem as cores padrão do refrigerante. E, como estavam na Rússia filmando em 30 graus abaixo de zero, os mesmos empresários da Coca-Cola resolveram criar uma roupa com bastante algodão, lã e uma touca, para o ingênuo Nicolau vestir e não morrer de frio no meio de toda aquela geleira. Gravaram o comercial e tudo ficou perfeito! A essa altura, Nicolau Sant-Klausën, ou melhor, Saint Claus já estava ficando famoso e começaram a chamar o homem até de Nick ou "Good Oldman".

Num simplório dia, voltando para seu lar, Nicolau encontra sua mulher na cama com um executivo da Coca-Cola que empregara Nicolau como garoto-propaganda, realizando todas as posições sexuais que nem o Kama Sutra ainda havia elaborado. Revoltado e triste, Nicolau discute fervorosamente com sua esposa e decide sair de casa. Abandona o emprego e sai rumo ao desconhecido horizonte da Rússia, indo parar numa terra longínqua, conhecida como Lapônia. Lá, o amargurado Nicolau se isola cada vez mais. Deixa a barba crescer, começa a beber como um condenado e enlouquece gradativamente, começando inclusive, a conversar com as renas em sua volta e a achar que gnomos verdes querem ajudá-lo a construir brinquedos!

Pobre, barbudo, esfomeado, com uma barriga enorme de bebida e vestindo apenas aquela velha e surrada roupa vermelha e branca, o alucinado Nicolau parte para a cidade com um velho saco nas costas a fim de ganhar uns trocadinhos catando latinhas num lixão. Como algumas crianças das redondezas gostavam de brincar no meio do lixão e lá era sujo e perigoso, as mães, para amedrontar seus filhos e impedir que eles voltassem ao local, diziam: "Cuidado com aquele velho do saco! Ele vai te pegar! Cuidado com o velho do saco!".

Resumindo: Papai Noel nada mais é do que um velho corno, desempregado, entregue às bebidas, sujo, maltrapilho, louco e que ainda tem fama do velho do saco. E então? Vocês ainda acreditam no "bom velhinho"???

* Marcel Camp criou esse texto premiado com um Peru velho e uma cidra Cereser para noite Natalina

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