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quarta-feira, 2 de maio de 2012

Falando de Filme # 12





Tenso e angustiante, A Perseguição (título um tanto bobo) convence em manter o nervosismo de uma situação realista, com personagens bem delineados por um roteiro enxuto, direto e numa direção altamente competente de Joe Carnahan – que se tornou amigo pessoal de Lian Neeson. 


Aliás, falar de Neeson é “chover no molhado” já que o veterano ator sempre se mostra muito bem em cena e propõe ao espectador toda a garra, determinação e ao mesmo tempo, uma vulnerabilidade que seu protagonista tenta ultrapassar nele mesmo. Com uma premissa até comum, onde vemos um grupo de funcionários de uma indústria sofrendo um acidente de avião, onde caem numa região montanhosa e coberta por neve, os personagens à partir dali precisarão conviver com as diferenças, com as dificuldades encontradas pelo caminho e com a esperança que, certamente, pode ser a única coisa salvadora para cada um deles ali.


A fotografia do filme engrandece o branco da região e enaltece ainda mais o clima de nevasca que ocorre em todo o filme, o que para a trama é essencial, já que os sobreviventes precisam enfrentar a todo o tempo a baixa temperatura do lugar - e o espectador que conseguir imergir à tal ponto nesse tom do filme, certamente sentirá frio com eles, rs.

Com a natureza ameaçadora em volta dos personagens e os lobos sempre os caçando, o filme torna-se gradativamente não só uma corrida para se escapar desses consequentes inimigos... mas, também, uma agoniante resistência em manter a esperança e a força que cada um precisa ter para sobreviver ou para, ao menos, aceitar o seu destino.

PS: Há um quê também de religiosidade e fé, levemente e eficientemente debatida na trama.

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Falando de Filme #11 - ADMIRADORA SECRETA (Especial: Clássicos da Minha Infância)

Como estamos já pertinho do fim de ano, eu queria lembrar daqueles filmes mais nostálgicos e saudosos que tanto embalaram a minha infãncia e adolescência nas décadas de 80 e 90, e me faziam parar em frente à TV (quando as locadoras ainda eram febres e os video-cassetes ainda chegavam ao Brasil), para ver feliz e contente esses clássicos da Era de Ouro da Sessão da Tarde!!! Portanto, criei essa categoria dentro da Seção "Falando de Filmes", que servirá para lembrarmos, esporadicamente, desses pequenos Clássicos (eu considero, ao menos, rs) da minha, ou da nossa infãncia.



Excelente!!!

Uma coisa que possuía um grau de qualidade impressionante nos anos 80, era sem dúvida, as comédias românticas para o público adolescente... naquela década, não era apenas mostrar corpos nus, escatologias, brincadeirinhas sacanas com tortas e roteiro apelativo para empurrar qualquer coisa para uma juventude que necessariamente não iria avaliar com tanto afinco as obras cinematográficas. Mas eles valorizavam os filmes adolescentes! Eu realmente cresci vendo filmes juvenis inteligentes, com roteiros bem elaborados e que, principalmente, se preocupava em contar uma boa história para seu público teen e que nos envolvia da forma mais sincera e gratificante que poderiam fazer. Bom, Admiradora Secreta é só mais um ÓTIMO exemplo dessa qualidade!!!

Com uma história muito bem sacada e amarrada, o filme já começa com uma menina apaixonada por seu melhor amigo, mas sem coragem de se revelar, decidindo escrever uma carta anônima com dizeres românticos e calorosos. O problema começa quando essa carta vai parando de mãos em mãos, provocando uma série de confusões, deixando vários personagens acreditando em vários supostos “apaixonados”, enquanto que o protagonista acredita que quem escreveu pra ele, foi outra pessoa e não a melhor amiga que realmente o ama. Em um determinado momento do filme, praticamente quase TODO O ELENCO é envolvido na confusão da carta... rs. Essa é a grande tirada do filme, que conseqüente a isso, desenvolve intrigas, brigas, perseguições e uma descoberta final que enche nossos olhos de lágrimas!

C. Thomas Howell estava no auge de sua carreira, e realiza aqui um dos personagens mais marcantes de sua “rápida” filmografia. A moreninha Lori Loughlin faz de forma competente a amiga apaixonada, e a loirinha popular da escola por quem todos os garotos eram fascinados, foi interpretada pela linda Kelly Preston, hoje, esposa de John Travolta.

PS: O final, na beira do píer, quando toda a verdade sobre a carta é descoberta, é para se aplaudir de pé!!!

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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Falando de Filme #10 - Letra e Música


Desde o engraçado "Afinado no Amor" (Com Adam Sandler e também Drew Barrymore), que eu não assistia há um bom tempo comédias românticas ou até mesmo filmes de outros gêneros que abordassem a temática da década de 80. Não só os costumes, os jeitos sociais e o modismo colorido da época... mas sim, o que ela tinha de mais contagiante: a musicalidade!

Hugh Grant (em um de seus melhores papéis) é Alex Fletcher, um dos vocalistas da extinta banda de rock chamada "Pop!", uma clara referência a tantas bandinhas de rock-pop que nasceram na década de 80. Acontece que hoje, Alex é um roqueiro em distinta decadência, que sobrevive fazendo shows em parques, quemerces e eventos para fãs nostálgicos, sempre cantando seus antigos hits. Qualquer semelhança com cantores de bandas também extintas daquela época, não é mera coincidência! (Inclusive, o personagem de Grant chega a mencionar REO Speedwagon e Debbie Gibson, uma bandaça e uma ótima cantora, respectivamente, que colecionavam sucessos oitentistas!). Mas o que muda em sua vida, é a oportunidade que ele recebe de compôr uma boa música para Cora Corman, uma diva pop que está estourando nas paradas, e que é uma fã confessa da antiga banda de Fletcher. O que é a chance de ouro para o roqueiro ascender de volta à mídia, é também o seu maior desafio: Alex Fletcher não compõe! Ou melhor, ele sempre foi um grande compositor de melodias mas escrever letras nunca foi o seu forte.


É então que surge Sophie Fisher (Drew Barrymore, demonstrando que é a nova Meg Ryan das comédias românticas atuais!), uma desajeitada jardineira responsável por "cuidar" das plantas de Alex. Sophie também tem um drama explorado aos pouquinhos no desenvolvimento do filme, em relação ao seu passado com um professor de literatura, mas embora esse draminha seja logo descartado, Barrymore consegue nos brindar com um jeito simples e divertido de uma moça simplesmente simples e divertida. E a graça do filme é justamente o envolvimento casual de Sophie e Alex, que logo se torna uma missão para ambos: compor com perfeição uma música com cara de sucesso para a estrelinha do momento Cora Corman.

E por falar em Corman (feita pela novata Haley Benett), a personagem é uma piada à parte; desfilando suas curvas sempre insinuantes, a musa pop bombardeia seus admiradores com letras fúteis e coreografias provocantes. É na verdade, uma escancarada sátira às Britneys Spears do show-business. A jovem atriz também merece elogios, já que consegue passar arrogância e prepotência sem nunca se tornar "a vilã" do filme. No final, percebemos isso claramente!


Está sempre óbvio, afinal, de que o grande vilão de "Letra e Música" é o mercado musical de hoje, que parece cada vez mais descartar artistas com talento, para transformar canções inspiradas e bonitas em hits vazios de grande apelo comercial e/ou sexual. "São as vendas de discos que interessam e não os sentimentos!". Diz em determinado momento Alex para Sophie. Uma triste realidade.

Bem dirigido e com um elenco afiado - destaco a espivitada irmã de Sophie, Rhonda Fisher, (feita pela competente Kristen Johnston) que em alguns momentos, consegue roubar claramente a cena -, o filme jamais se torna cansativo ou meloso (um risco sempre aparente em comédias românticas!), tornando qualquer sequência-clichê ingenuamente engraçada. É divertido e bem envolvente. E também não tem como eu dizer que "Letra e Música" é mais uma comédia romântica para mulheres. O filme agrada a todos os sexos e, acima de tudo, é uma grande homenagem às bandas oitentistas que por alguma razão - ou sem razão alguma! - sumiram do cenário musical.

PS: Impossível de não ouvir a música "Pop! Goes My Heart" e não ficar com o refrão na cabeça.

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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Falando de Filme #9 - Um Crime Americano


Há algum tempo não assistia uma obra tão forte e intensa quanto Um Crime Americano. Não falo de cenas sangrentas ou sequências de morte. Mas falo daquilo que pode ser o mais perturbardor que é a crueldade contra uma pessoa inocente e indefesa. Sylvia Likens conheceu esse verdadeito horror de frente e sofreu todas as dores que a maldade humana poderia lhe causar, desde o terror psicológico às torturas físicas. E seu carrasco atendia por um nome feminino e complicado: Gertrude Baniszewski.

O filme escrito e dirigido por Tommy O'Haver, baseado em fatos reais ocorridos na década de 60 no estado de Indiana, Estados Unidos, mostra de maneira direta e sem floreios, toda a tragédia que envolveu as famílias Likens e Baniszewski... mais precisamente, a jovem Sylvia Likens e sua irmã mais nova, Jenny Likens.

Depois de serem deixadas pelos próprios pais, por algumas semanas, aos "cuidados" de uma senhora aparentemente regrada, Sylvia e Jenny começam a perceber o controle rígido e obcecado que Gertrude Baniszewski exercia sobre seus filhos. Mas é curioso percebermos o comportamento dúbio dessa mãe de seis crianças; Gertrude é capaz de frequentar a igreja assiduamente, se relacionar de maneira amistosa com o Reverendo e com a vizinhança, e parece sempre pronta para ser prestativa para quem quer que seja. No entanto, toda essa "simpatia" esconde uma dona de casa frustrada, emocionalmente descontrolada e, algumas vezes, até vulgar, chegando assediar rapidamente o pai de Sylvia e Jenny e se insinuando até mesmo para Ricky, um garoto retraído que parecia só ter 15 anos de idade. Não demora muito para Gertrude exibir todo a sua violência, colocando como "desculpa" para suas atrocidades, o senso protecionista que possuía para com seus filhos! Se no princípio, achamos que ela era rígida e autoritária com quem fosse para manter a imagem imaculada de sua família, logo a vemos se transformar num monstro cruel e sem nenhuma intensão de separar mais o que era o certo e errado. Pode ser que o único momento de reflexão mais nítido que aquela maldosa mulher teve perante os atos absurdos que fazia, foi durante um rápido desabafo dentro do porão enquanto esfregava um pano umedecido no rosto de sua vítima... mas nesse minuto, por tudo que já havia feito com a menina Sylvia, era tarde demais para qualquer tipo de arrependimento.

O filme é implacável nas cenas de punição e castigo que Gertrude Baniszewski realizava. Nada é mostrado explicitamente, mas apenas as imagens sugestivas que uma ponta de cigarro, um ferro em brasa ou uma garrafa de coca cola pode causar, são perplexamente chocantes e é algo que nos perturba profundamente. Sylvia Likens foi massacrada, humilhada e colocada como um animal para apenas servir como bode expiatório ou uma terrível amostra do que aquela mulher insana, que se dizia dona de casa, faria com quem saísse de seu controle. E é dolorosamente triste e penoso testemunharmos pessoas de fora, como os vizinhos que ouviam os gritos mas preferiam ser omissos ou os perversos jovens que iam até o porão para humilhar ainda mais Sylvia, sendo manipulados pelas ações e atitudes que aquela louca e maligna mulher causou contra um único ser humano.

Mas Um Crime Americano certamente não teria o impacto que teve se não tivesse duas atrizes poderosas interpretando as duas personagens principais. É claro que a atriz Ary Graynor, que fez Paula Baniszewski, a filha mais velha de Gertrude e talvez as outras crianças tenham colaborado para a força do filme, mas é realmente Catherine Keener (de O Virgem de 40 Anos ) fazendo Getrude Baniszewski e Ellen Page (de Juno) como Sylvia Likens, que carregam com toda a força o filme em seu mais alto teor de tensão e angústia. Mesmo que Catherine Keener faça de Gertrude uma mulher desequilibrada, cruel e completamente má, a talentosa atriz também nos passa - por mais sutil que seja! - elementos humanos na vilã, como sua constante tosse provocada pelas crises de asma que sofria e durante aquele tortuoso desabafo no porão. E Ellen Page está muio talentosa, tranformando Sylvia num ser frágil, aquebrantado e sofrido, que mesmo por um leve sorriso ou por um olhar mais terno, nos faz acreditar plenamente que aquela menina tão ingênua e simples, tinha uma alma bondosa e pura que foi completa e covardemente destroçada.

E pra mim, é revoltante saber que, mesmo de maneira primária e irracional, as crianças que entraram naquele porão e os vizinhos que se omitiram em chamar a polícia, colaboraram direta e indiretamente com toda aquela perversão e, no final de tudo, também foram coniventes com todo o crime praticado naquela casa!

PS: Há, no filme, uma rápida participação do competente ator James Franco.

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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Falando de Filme #8 - Amor a Toda Prova


Steve Carrell, Ryan Gosling, Julianne Moore, Emma Stone, Marisa Tomei, Kevin Bacon... são nomes suficientes para fazer qualquer um dar certo valor a um filme. E foi exatamente o elenco que me chamou atenção em “Amor a Toda Prova”, uma comédia romântica que foge das previsibilidades do roteiro e tenta de algumas maneiras divertidas fugir também do clichê irritante que acometeu a maioria das comédias românticas americanas.

Falando assim, parece até que o filme dirigido a quatro mãos (sim, foram dois diretores que comandaram “Amor a Toda Prova” – Glenn Ficarra e Jonh Requa) é totalmente original e inovador. Não, não vão com isso em mente! O filme ainda tem seus pequenos momentos batidos, mas acontece que esses momentos são tão bem conduzidos e encaixados na trama, que conseguem envolver de verdade o espectador! Aliás, a trama é bem delineada, mesmo sendo dividida em três histórias paralelas com ligações entre elas: existe o drama com Steve Carell e Juliane Moore, existirá o drama entre Ryan Gossling e Emma Stone e ainda existe mais um que farão todos se trombarem ao final.

“Amor a Toda Prova” consegue transbordar simpatia com todos os seus personagens. Mas isso já seria no mínimo esperado, tendo em vista o elenco de nomes competentes dispostos a dar credibilidade e diversão ao roteiro. E fica claro no desfecho, que TODOS ELES realmente parecem estar se divertindo! Steve Carell realmente merece muitos elogios, pois o ator não deve ser considerado apenas como um comediante – como alguns ainda o rotulam! – mas como um ator completo, já que ele consegue equilibrar seus momentos dramáticos com o riso sem nunca se tornar caricato!

E seu personagem, Carl Weaver, pode ser até considerado o principal, já que as subtramas se desenvolvem à partir dele, mas é inegável que Ryan Goslin e Emma Stone brilham toda vez que aparecem em cena – inclusive, o sempre ótimo Goslin tem a oportunidade aqui de ainda ser encarado como “sex-simbol”, coisa que o ator talvez nunca tenha imaginado para ele. Mas a química entre ele e a competente Emma Stone (que está praticamente sendo a nova “Lindsey Lohan” – sem drogas) cativa o espectador de cara, enquanto Carrel, Juliane Moore e seu filho precisarão enfrentar outros dilemas interessantes.

Com um clima divertido, direção segura, roteiro esperto e um elenco que não deixa a desejar em nada (Marisa Tomei e Kevin Bacon ainda são participações ultra especiais – e altamente carismáticas!), “Amor a Toda Prova” é daqueles despretensiosos filmes americanos que investem num gênero desgastado para justamente dar algum sopro de inventividade. E mesmo que não inventem nada, chegam bem perto de um frescor que não sentimos com tanta frequência nas comédias românticas americanas... eu, pelo menos não!

PS: Há uma sequência em homenagem a Dirty Dancing e, logicamente, a Patrick Swayze e Jennifer Grey que deixarão um sorriso nos nostálgicos.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Falando de Filme #7 - Espelhos do Medo

Fico um pouco assustado com filmes de terror, propriamente dito. Mas não assustado de medo ou pavor; embora o objetivo de um bom filme de terror, seja isso... mas como hoje já sou crescidinho e não preciso mais dormir de luz acesa (rs), o meu medo na verdade advém da ausência de um bom roteiro, de um bom desenvolvimento da trama (que mesmo que lhe pregue sustos, te deixe envolvido com a história) ou até mesmo da falta de criatividade que uma boa parte dos filmes de terror atual sofrem. Hoje o gênero quase sempre segue - lamentavelmente - a mesma fórmula: espíritos atormentados que começam a assustar o mocinho e a mocinha - ou suas famílias - até que os protagonistas consigam achar um jeito de livrar as almas torturadas do sofrimento eterno. Convenhamos, essas sinopses já estão um pouquinho batidas e só desanima ainda mais quando acrescentadas por elementos mais batidos ainda, que sempre vem junto com o pacote! São eles: crianças aterrorizadas, casas mal-assombradas, velhinhas enigmáticas, uma maldição milenar que assombra o local ou alguém, e agora também importado do Terror Asiático, ainda temos que ver inúmeras vezes menininhas cabeludas que saem de dentro da água, de baixo da cama ou que descem do teto como uma aranha. Mas com toda a sinceridade, nada que me faça desistir do filme... desde que o mesmo possua a boa e velha história MUITO BEM CONTADA. E nesse ponto, Espelhos do Medo não só cumpre essa função, como ainda consegue provocar autênticos arrepios!

Kiefer Sutherland (o famosíssimo Jack Bauer da ótima série policial 24 horas), volta aos cinemas na pele de Benjamin Carson, um sofrido vigia noturno que além de enfrentar um relacionamento conturbado com sua esposa (eles estão quase se separando), ainda precisa superar o fracasso de sua carreira policial, curar sua bebedeira e para piorar, convencer a todos que os espelhos andam se comunicando com ele! Tudo bem, eu sei que parece muito exagerado... e é, à primeira vista. Mas o roteiro é esperto e mesmo criando clichês do gênero, sempre procura fugir deles da maneira mais empolgante possível. A propósito, é interessante comentar que o diretor espanhol Alexandre Aja (também roteirista do filme!) é novato na direção, mas cumpre muito bem seu papel, fornecendo pistas e enquadramentos muito bem feitos, como as tomadas sutilmente elaboradas para nos mostrar imagens espelhadas onde menos imaginamos, como no assoalho bem encerado de uma casa, na mesa bem envernizada, em retrovisores de carros, nas poças de águas e até mesmo na lataria de um brilhoso automóvel. Sinais pequenos, mas genialmente subliminares de que os reflexos estão sempre nos acompanhando, sem muitas vezes percebermos isso. E para piorar - ou melhorar! - o clima de suspense do filme, os espelhos são um show à parte, sendo muito bem focalizados com a exata dimensão de como eles surgem em cena, sempre repentinos, imponentes e tenebrosos. É certo que ficamos com MEDO só de encarar aqueles vidros!

Embora, seguindo a velha cartilha para se criar sustos (como a música mais acentuada, gritos de pessoas, sequências de fobia), Espelhos do Medo se desenvolve de forma sempre tensa, nunca dando-nos a chance de respirar e ainda convence em seu propósito natural de colocar os protagonistas que simpatizamos, como as grandes vítimas do inimigo fantasmagórico. E não falo só do vigia noturno Ben Carson, que nos fornece toda a vontade de torcer para que ele vença aqueles desafios, mas sim, de sua esposa e de seu casal de filhos pequenos. E é ainda mais angustiante nos deparar com crianças completamente ingênuas e que não fazem a menor idéia do mau que está diante deles, ainda sofrendo todos os riscos possíveis. E dentro desse contexto, tenho que parabenizar a atriz Paula Patton, que faz Amy Carson, a esposa de Ben, que atua de forma coerente e sensata, exibindo seu desespero de maneira convincente, como uma mãe exibiria ao ver seus dois filhos pequenos sendo ameaçados por aquilo que ela não entende! Patton, inclusive, me lembrou em alguns momentos a atriz Halle Berry!

Mas o ponto forte de Espelhos do Medo reside mesmo na explicação de como tais espelhos tornaram-se assombrados; uma explicação muito criativa e interessante, que mesmo sendo contada de maneira sobrenatural, ainda assim, possui a excelente habilidade de nos parecer lógica e real. E mesmo que o protagonista principal do filme, o ótimo Kiefer Sutherland, ainda lembre seu herói Jack Bauer de 24hrs (o que é inevitável, tamanha foi a dedicação do ator ao personagem da série!), ele ainda nos surpreende em alguns bons momentos de interpretação, como no choro esbravador dentro de um banheiro diante da morte de um personagem e quando tenta por todas as maneiras eliminar os espelhos da própria casa e convencer a esposa, ainda incrédula, de que não está louco e o que enfrenta é mais sinistro do que se pode imaginar.


Mas depois de tanta correria, apreensão e medo, a surpresa maior do filme é revelada em seus últimos segundos antes do término, quando finalmente, descobrimos que algo mais aconteceu... e é também nesse momento que sentimos que Espelhos do Medo não será uma obra prima incontestável dentro do gênero, como foi O Sexto Sentido ou Os Outros, mas mesmo assim, será lembrado como um filme perturbador e muito angustiante, com um final que consegue jogar - com sagacidade! - sua última cartada.


PS: Para os mais impressionados, o filme nem tem tantas cenas assim de terror "brabo", mas a que envolve a morte de uma mulher na banheira, aconselho pelo menos, a piscarem rápido! (rs)

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Falando de Filme #6 - Coraline e o Mundo Secreto


Atualmente os desenhos animados avançaram por um campo muito rico que é o da tecnologia da animação. Praticamente, vemos produções da Pixar, da Dreamworks e da Disney arrebatarem prêmios por suas mirabolantes e perfeitas técnicas visuais. A narrativa também é outra área muito bem explorada hoje em dia, com roteiros minuciosamente bem trabalhados, e diálogos e situações que nos remete à filmes cinematográficos. Apenas um único elemento essas grandes empresas de animação possuem em comum: o seu público alvo. Embora, alguns desenhos trate de temas mais avançados e elaborados que jovens e adultos se apegam, o tom e o clima de humor infantil continua lá... irretocável com a presença de seres engraçadinhos, bichinhos tresloucados e personagens cômicos. Todos, em sua maioria, voltados exclusivamente para as crianças! Mas é difícil - e até RARO - uma produção animada numa técnica bem mais pueril que é a do stop motion com massinhas, conseguir ser completamente envolvente de maneira séria e adulta. E Coraline e O Mundo Secreto ("Coraline", 2009) é exatamente assim!

De Henry Sellick, o mesmo diretor do inovador O Estranho Mundo de Jack e do carismático James e o Pêssego Gigante, e à partir dos contos de Neil Gaiman, autor de famosas Histórias em Quadrinhos e Livros, Coraline e O Mundo Secreto possui as mesmas características visuais de seus antecessores (personagens esticados, visual alegórico e tom sombrio) numa história totalmente reflexiva e, até em alguns pontos, assustadora! Utilizando a charmosa técnica da animação quadro a quadro com massas de modelar e cenários feitos em maquetes, Coraline já quebra qualquer convenção dos desenhos animados em agradar criancinhas logo em suas cenas iniciais, quando exibe em sua abertura, uma mão medonha de ferro costurando os olhos e as bocas de bonequinhos de pano, de uma maneira bem agressiva e impactante. Quero dizer, para alguns... já que muitos jovens e adultos devem achar a sequência inicial até comum. O curioso é começarmos a compreender - aos poucos! - a história sombria, melancólica e falsamente feliz de Coraline. Assim que se muda com seus pais para um local aparentemente calmo, mas que sempre chove muito, a menina (que aparenta uns 9 ou 10 anos, mas que o roteiro nunca revela) conhece logo o inquieto Wybie, um garoto meio nerd que adora andar de bicicleta com suas estranhas máscaras artesanais. Aparentando também ter a mesma idade da pequena e espivitada Coraline Jones, o garoto a entrega uma bonequinha de pano com olhos de botões que chama a atenção da menina, mas que será apenas um pequeno elemento de uma trama muito mais elaborada e espantosa. E o "espantosa" aqui, não é só um termo de surpresa, mas sim de espanto mesmo, de terror, já que quando conhecemos a real história dos "outros pais" de Coraline e da realidade do tal "Mundo Secreto" do título, começamos a perceber que a vida da protagonista e de seus verdadeiros pais, podem estar correndo perigo, assim como a vida do vizinho acrobata e das vizinhas ex-vedetes.

Muito bem escrito, com passagens até filosóficas narrativa e visualmente, Henry Sellick demonstra um total domínio em sua direção, conseguindo nos fazer refletir em um simples sorriso forçado de determinado personagem, como num bem construído diálogo entre Coraline e sua "outra mãe". Reparem, por exemplo, no visual aterrorizante quando esta se revela para a menina num momento crucial do enredo, ou então no inusitado cortador de grama do "outro pai" que, se num momento da história se apresenta como uma ferramenta divertida e engraçada, em outro, se mostra como uma assustadora e mortífera máquina destruidora. Aliás, são nessas pequenas sutilezas e nos ricos detalhes escondidos em cada canto de Coraline, que Henry Sellick consegue montar com muito brilhantismo uma produção de encher os olhos... e a mente! E acredito com toda a certeza que muitas crianças podem não entender o ritmo da história e muito menos se adaptar ao estranho e sombrio mundo apresentado pelo diretor, mas arrisco em dizer que jovens mais maduros e adultos já habituados às produções mais fechadas de animação, vão adorar! Com uma leve inspiração em Alice no País das Maravilhas, Coraline, magistralmente, joga todo aquele conceito de um mundo fantástico descoberto pelos olhos de uma criança num caldeirão maquiavélico e subliminarmente reflexivo.

E é de se admirar que a técnica do stop motion de massinhas, que é uma habilidade já consagrada pelo clássico Wallace e Gromit, e que sempre serviu para nos contar histórias animadas com diversão e leveza, seja aqui utilizada para nos revelar uma rica trama de falsidade, domínio emocional e superação pessoal.

PS: Infantil mesmo, só o rostinho dos bonecos.

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Falando de Filme #5 - O Menino do Pijama Listrado


Antes de iniciar essa crítica, gostaria de dizer que sou fascinado por dramas de guerra. Não dramalhões, mas aqueles que são feitos com sensibilidade à ponto de nos fazer questionar profundamente sobre o conceito da Guerra, à respeito da imbecilidade dos conflitos entre povos e sobre a importância da humanidade e do afeto onde ela nem existe mais. O Menino do Pijama Listrado ("The Boy in the Striped Pyjamas", 2008) não só consolida todos esses elementos de maneira direta e magistral, como se torna ao meu ver, uma das obras mais importantes a se discutir dentro desse gênero.

Elsa, a esposa de um soldado Nazista, aceita se mudar com ele para as proximidades de um campo de concentração depois que seu marido é promovido a Comandante. Digna e dedicada, Elsa leva com ela seus dois filhos: a menina Greitel e o curioso Bruno, seu caçula. Elsa é humana, sábia e carinhosa, mas não imagina o que realmente seja um campo de concentração! Ao seu entender, tais campos são apenas presídios ou centros de contenção que tem como objetivo alocar prisioneiros judeus que estejam direto ou indiretamente envolvidos com as guerras. Com ela, seu filho Bruno partilha da mesma inocência, só que o garoto de apenas 8 anos, enxerga os campos como fazendas e acredita que todas aquelas pessoas do outro lado da cerca, sejam fazendeiros.

Recém afastado de seus amigos da cidade, Bruno carece de novos companheiros de mesma idade, e ao avistar um menino com a cabeça raspada trajando um uniforme listrado semelhante a um pijama, e sentado sempre próximo da cerca de arames farpados, que Bruno vê a chance perfeita para se reconstruir um novo amigo. Só que existe um grande e terrível problema nessa inusitada relação... o novo menino chamado Schmuel (ou Samuel, que é como Bruno o chama depois que o conhece) é um pequeno Judeu, e como todos naquela época, era tratado como um verme asqueroso, cercado por soldados alemães prontos para lhe machucar, caminhando sem mais esperança - ou força! - de viver com alegria. E, mesmo assim, é através do menino alemão Bruno, seu mais novo amigo, que o judeuzinho Samuel volta a sorrir. E está aí toda a carga de emoção, beleza e inteligência que o filme poderia nos transmitir: na sincera e natural amizade dos dois meninos!!!

É emocionante ver que quando Bruno (Asa Butterfield) conhece Samuel (Jack Scanlon) atrás do cercado, a primeira pergunta eufórica que este lhe faz é se tem muita comida de onde ele vem? Ora, não precisa ter mais diálogos para se complementar o terror que aquele cenário de guerra fez no menino judeu... sua transparente e sofrida pergunta já exprime todo o resumo da covardia e humilhação pelo qual ele está passando. O roteiro é fabuloso! Não há como se elogiar um filme quando não nos sentimos tocados e deslumbrados com a maneira de como os personagens são desenvolvidos, como a história é transmitida e como toda a linha narrativa do filme é colocada de maneira gradativamente espetacular. O diretor Mark Herman adaptou de forma perfeita o já extraordinário best seller de John Boyne realizando uma direção precisa, segura e totalmente envolvente. O elenco também ajuda, principalmente, a competentíssima atriz Vera Farmiga (a Elsa, mãe de Bruno) que consegue mudar toda a sua forma interpretativa em reagir contra os métodos de seu frio marido. Aliás, acredito que foi ela a grande vítima de toda a estupidez que seu imbecil esposo colaborou.

Mas no entanto, é a amizade de Bruno e Samuel que mais mexe com a gente! Não há uma cena se quer, onde os dois meninos aparecem juntos que não nos sentimos compartilhados de tudo aquilo. Não são excelentes atores mirins ou crianças-prodígios como Haley Joel Osment ou Dakota Fanning, mas conseguem com naturalidade e com um envolvimento sutil, despertar em nós o carinho e a verdade que aquela relação tão cheia de obstáculos poderia nos passar. E conseguem pra valer, com muito louvor! Bruno e Samuel, diferente dos meninos de O Caçador de Pipas, jamais se afastam ou se renegam por algum motivo... ao contrário, quando tudo parecia distanciá-los de vez, é quando eles se unem no momento mais bonito e ingênuo de todo o filme... é quando, finalmente, O Menino do Pijama Listrado chega em seu desfecho e se torna uma poesia!

Essa pérola cinematográfica é a prova absoluta de que jamais foi necessário usar efeitos ou se utilizar das eloquências técnicas que o Cinema pode proporcionar para se criar um verdadeiro drama de guerra. E para um filme desse gênero, é espantoso que não haja sequer um único tiro ou sangue derramado durante toda a projeção... e foi isso que me deixou ainda mais fascinado, pois O Menino do Pijama Listrado nos dá uma aula de intolerância humana não em cenas violentas, mas apenas mostrando a dificuldade de se manter uma afetuosa e carinhosa relação entre dois pequenos amigos... só por terem etnias diferentes.

PS: O velhinho que faz o judeu Pavel nos comove inteiramente, e ver ele em cena assim como observar aquela fumaça negra sendo expelida pelas chaminés dos campos de concentração, nos faz perguntar do por quê de toda aquela estúpida selvageria? Um filme que merece ser visto e revisto, mesmo que seja uma verdadeira e precisa pancada na alma.

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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Falando de Filme #4 - Perseguidor Implacável

Navegando pela internet em sites para downloads de filmes, deparei-me com um link de um clássico do gênero policial, que não só se tornou uma obra cultuada na época que foi lançado até os dias de hoje, como para muitos, foi o filme responsável pela revolução na linguagem dos filmes policiais... um verdadeiro divisor de águas. Estou falando de "Dirty Harry"! Ou, Perseguidor Implacável, título que ganhou aqui no Brasil, e que se tornou rapidamente num clássico que REVOLUCIONOU um gênero!!!

Se antes, em meados de 40, 50 e 60, o cinema americano estava acostumado com bravos heróis puros como os guerreiros valentes, piratas destemidos e cowboys corajosos, foi na década de 70 que Hollywood começou a experimentar os anti-heróis; indivíduos que mesmo dispostos a enfrentar o mau e determinados a acabar com os bandidos, não abriam mão de seus métodos pessoais para acertar as contas com o crime - mesmo que para isso, eles tivessem que torturar violentamente algum informante, quebrar os dentes de alguma autoridade ou até mesmo dar uns bons tabefes em mocinhas bonitas. Personagens como Frank Bullet (Steve McQueen), Paul Kersey (Charles Bronson) e até mesmo Michael Corleone (Al Pacino) faziam a Justiça valer à seus modos! Mas nenhum personagem resumiu tão bem a forma fria e violenta como o marcante policial Harry Callahan, feito por Clint Eastwood. Mais conhecido por "Dirty Harry", o "sujo" Harry" (apelido que outros tiras o deram pelas suas ações nada convencionais contra a bandidagem), o Inspetor de São Francisco sisudo e calado, sempre preferia atirar primeiro para perguntar depois. Inclusive, até desconfio que a poderosa Magnum .44, revolver com alto poder de fogo capaz de abrir uma cabeça, só foi difundida pelo mundo à fora, por causa desse personagem tão icônico.

Mas não se enganem! O filme não é só violência, sangue e tiros... aliás, se for compará-lo com os atuais filmecos de ação, ele perde feio em matéria de cenas sanguinolentas. O que Perseguidor Implacável tem de tão bom é justamente a narrativa da história e a abrangência gradativa com que o roteiro vai expondo seu personagem central. Dirty Harry não é um robô indestrutível da Lei que sai pelas ruas matando. É apenas um policial que observa seu caso se diluindo com a burocracia lenta e cheia de incoerências das autoridades e testemunha cada vez mais o seu principal suspeito escapando impunemente para cometer mais assassinatos, devido os erros constantes gerados pelo interesse do poder público e pela sociedade hipócrita que firma seus tolos argumentos para proteger os que estão à margem da Lei.

Há um diálogo excelente entre Dirty Harry e um promotor público que exemplifica bem essa imbecilidade que, às vezes, inutiliza uma ação policial: "Sem provas não podemos prender ninguém! E além do mais, os Direitos Humanos quer proteger esse homem!" (diz o promotor para Harry). "Eu não pude colher provas porque ele tinha um prazo pra matar a garota! E o que os Direitos Humanos fará agora com a menina encontrada nua e rasgada dentro de um buraco que esse pulha matou?". Enfim, Clint Eastwood está ótimo como Dirty Harry, mas merece destaque também o ator Andrew Robinson que faz o serial killer chamado de Scorpio.

Embora um tanto maniqueísta, o roteiro apresenta bons e diretos diálogos. Há quem ainda acuse Perseguidor Implacável de ser fascista, mas não é de se estranhar que quando o crime chega a um patamar tão consistente e emergencial, seja onde for, policiais precisem agir logo! E não defendo aqui a Justiça com as próprias mãos, mas defendo simplesmente a vontade enérgica e também emergencial de alguém que precise resolver logo as coisas. E se autoridades, governantes e qualquer outro tipo de supremacia burocrática esteja inerte e se perdendo em seu próprio novelo de conceitos e teorias, é normal que haja pessoas que comecem querer logo a prática... e Harry Callahan é apenas mais um símbolo disso. Muitas vezes, e em sua maioria, mal compreendido.

Uma curiosidade: Os assassinatos do vilão do filme, foram inspirados no serial killer que existiu de verdade e que atacou São Francisco na década de 60, ocasionando o famoso caso do Assassino do Horóscopo, uma história que foi levada às telas com mais detalhes no filme Zodíaco, de 2007.

Ps: A música de Lalo Shifrin completa essa pérola policial de maneira perfeita.

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sábado, 6 de agosto de 2011

Falando de Filme #3 - Na Mira do Chefe


Às vezes sou acometido por grandes e inusitadas surpresas cinematográficas! Filmes em que eu acredito serem bons me decepcionam completamente e, alguns outros, em que eu assisto sem a menor expectativa, me agradam em cheio... e é o caso de Na Mira do Chefe ("In Bruges", 2007), filme quase independente, dirigido por um estreante cineasta saído dos teatros e estrelado por três craques do cinema como o versátil Colin Farrell (Por Um Fio), o talentoso Brandan Gleeson (Coração Valente) e o brilhante Ralph Fiennes (O Paciente Inglês).

O filme, todo filmado na Bélgica (na medieval cidade de Bruges), conta a rápida - e original! - história de dois matadores de aluguel que depois de realizarem um serviço, são mandados para aquela isolada cidade a fim de realizar mais um outro pequeno serviço a mando do chefe. O problema todo começa justamente aí: o que seria uma tarefa simples, acaba saindo do controle e transtornando a todos, principalmente um dos matadores e seu meticuloso chefe.

O filme - uma comédia dramática - possui ótimos e perfeitos diálogos, e situações muito bem elaboradas envolvendo principalmente os três protagonistas centrais (os dois matadores Ray e Ken e seu chefe Harry). O roteiro sabe explorar de forma muito inteligente cada um de seus bem construídos personagens. Até os coadjuvantes são muito bem destacados, como a moça que se envolve com um dos matadores, seu ex-namorado, uma hoteleira, um vendedor de armas e até um ator anão. A história, totalmente envolvente, consegue ainda nos manter "presos" de maneira sutil com todos os acontecimentos que vão surgindo em cena, sejam eles dramáticos ou puramente hilários... e essa mistura, do drama com a comédia, acrescentado com diálogos super inspirados, me lembrou em muitos momentos, algum filme de Quentin Tarantino; como por exemplo, a conversa que Ray tem com sua namorada sobre os anões e quando Harry fala com certo personagem que acabara de perder um olho.

Se já não bastasse possuir uma ótima história magistralmente desenvolvida, Na Mira do Chefe ainda consegue extrair o melhor de cada ator. Colin Farrell, um matador em conflito que leva um peso na consciência, faz o personagem Raymond de forma extraordinária, colocando em excelente equilíbrio todo o fundo trágico e dramático de seu papel com uma gaiatice e comicidade de impressionar (reparem em seus trejeitos físicos e a maneira como entorta a cabeça para o lado e levanta os ombros num gesto meio pueril de quem não sabe dar uma resposta exata). Outro que merece muitos elogios é Brendan Gleeson, que faz o contido e racional Ken, um matador mais experiente, humano, que sempre procura analisar as coisas e realizar suas ações com muita calma e cautela, transformando-o no fim, no personagem mais íntegro de todos. E, finalmente, Ralph Fiennes, como Harry, o chefe da dupla de matadores... um indivíduo demasiadamente meticuloso, sistemático e cumpridor de regras bastante rigorosas. Seriam essas até qualidades, se o sujeito não fosse altamente perigoso!

Com todos esses deslumbrantes acertos, o diretor Martin McDonagh, que também escreveu e roteirizou o filme, e que me surpreende ainda mais por sair de peças teatrais e comandar esse seu primeiro trabalho para o cinema com muita habilidade e segurança, fez de Na Mira do Chefe, o típico "pequeno grande filme" que nos envolve, nos emociona e nos faz rir de maneira espontânea e com muita inteligência.

PS: A única seqüência sonorizada por uma música, é também pra mim, a mais emocionante de todo o filme!

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terça-feira, 14 de junho de 2011

Falando de Filme #2 - Zumbilândia

George A. Romero é conhecido como o "pai" dos zombie-movies... o cineasta praticamente levou às telas os mais significativos e inesquecíveis filmes com os mortos-vivos e criou, desde então, um sub-gênero admirado por uma legião de fãs e imitado por muitos novos cineastas.

No entanto, mesmo que os filmes de Romero já possuíssem críticas sociais e muito humor negro IMBUTIDO nas cenas aterrorizantes e sanguinolentas de seus comedores de cérebro, foi só no início dos anos 2000 que alguns filmes começaram a querer transformar esse mote em comédia, de fato. Zumbilândia é a prova disso... que mesmo não descartando o sangue, as tripas e os mortos perambulando sedentos pelas ruas, consegue ter um humor completamente extravagante e bem trabalhado, com ótimas sacadas, diálogos super inspirados e atuações que favorecem ainda mais o tom "pastelão" e "anárquico" dessa divertida comédia com zumbis.

O novato e jovem diretor Ruben Fleisher, junto dos competentes roteiristas Rhett Reese e Paul Wernick, fazem um filme que na verdade é uma grande mistura de comédia, terror, aventura, romance e road-movie tudo num só mesmo pacote e, por mais inusitado que isso seja, conseguem extrair uma qualidade de todos os elementos de forma muito bem integrada.

Há tiradas do roteiro simplesmente geniais como as - inúmeras! - regras contra os zumbis (a do banheiro é completamente hilária!!!) e que não deixam de ser também totalmente coerentes, rs. As cenas são muito bem dirigidas por Fleischer, que sabe misturar perfeitamente a tensão provocada pela situação incômoda e emergencial quando os protagonistas encaram os mortos-vivos, com o humor escrachado de pequenos momentos inusitados que vão acontecendo no decorrer da trama! Algumas tomadas do diretor são muito bem trabalhadas e o início do filme é simplesmente espetacular, visualmente falando!

Mas Zumbilândia não teria ainda tanta graça se não fosse pelo elenco principal, composto por apenas 4 atores: Jesse Eisenberg, Emma Stone, Abigail Bresslin e Woody Harrelson... esse último, talvez, num dos papéis mais divertidos de sua filmografia! (e é muito bom constatar que um ator carismático e talentoso como Harrelson, está sendo bem mais aproveitado pelo Cinema, já que ficou tanto tempo subvalorizado por essa indústria). Columbus (Jesse Eisemberg) é quase o protagonista da história, já que é ele quem narra o filme inteiro em off, mas é impossível ficar indiferente às trambiqueiras irmãs feitas por Emma Stone e Abigail Bresslin... mas ao meu ver, quem quase "rouba" a cena é mesmo o simpático atirador viciado em bolinhos, Talahasse, feito por Woody Harrelson! Inclusive, uma sequência toda em câmera lenta dentro de uma loja de artigos para se fazer valer a regra "Aproveite as pequenas coisas da vida", de Talahasse, é uma das mais legais do filme!!!

Despretencioso, super divertido, com algumas idéias muito bem sacadas, e completamente simpático, a comédia de "terror" Zumbilândia torna-se ao meu ver, uma das pequenas - porém, ÓTIMAS surpresas! - desses últimos anos.

Se Ruben Fleisher manter essa qualidade na direção e na narrativa, tem tudo para ser mais um diretor de criatividade exemplar!

* Há ainda uma hilária participação de Bill Murray e mais uma homenagem aos que gostam de "Os Caça-Fantasmas".

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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Falando de Filme #1 - Como Treinar o Seu Dragão


Soluço é um rapaz atrapalhado e medroso que não consegue matar dragões...mas nem por isso, ele não possui coragem. Banguela é um “Fúria da Noite”, uma das linhagens de dragões mais perigosas que ronda a ilha Berk, e de cor preta, ele quase se torna invisível no céu noturno. Tido como uma ameaça letal, esse dragão precisa ser caçado e morto... mas isso não o faz ser uma criatura maldosa. Juntos, Soluço e Banguela mudarão de forma espetacular o rumo das coisas!

Quando Chris Sanders e Dean DeBlois se uniram para escrever e dirigir uma história “épica”, que narra aventuras de Vickings com Dragões, eles já tinham feito uma minuciosa elaboração do livro de Cressida Conwell, que serviu eficientemente como base para o filme. Mas o que esses dois artistas tinham já em mente era contar toda aquela história literária numa animação com efeitos grandiosos, cenários perfeitos e personagens completamente envolventes. O roteiro, para eles, seria “apenas” o resultado bem feito da elaboração que eles fizeram há dois anos atrás em cima do livro dessa autora infantil. E não resta dúvida de que, depois de 10 ou 15 minutos iniciais de projeção, a magnitude da história – por mais divertidinha que poderia ser – alcança de forma extraordinária um nível de emoção séria, intensa e, principalmente, VERDADEIRA como nenhuma outra animação da Dreamwork foi capaz de alcançar!

Com uma rápida e interessante introdução narrada pelo protagonista, o filme já nos empurra com força e, ao mesmo tempo com delicadeza, para dentro daquele universo mirabolante e ainda assim plausível dentro de toda a narrativa. E é sinceramente, a NARRATIVA que mais mexe com o espectador que assiste a essa animação. E se por um lado pode parecer “mais um” desenho de ação (devido as sensacionais cenas adrenalínicas), o filme explode ainda mais na emoção e no amor entre a amizade do menino e de seu dragão.

E sem contar NADA ESPECÍFICO da trama (que por sinal, é ótima!!!), afirmo que essa animação ganha o espectador por sua concepção de nunca soar um desenho infantil de forma tola. Pois por mais que tenham momentos divertidos ou engraçadinhos (e esses momentos são inteligentes, acredite!), o filme retrata de verdade o dilema de um rapaz tímido, franzino e desajeitado que precisa MATAR um dragão para mostrar sua bravura ao povo no qual pertence, quando ao mesmo tempo, DEVE saber lidar com o sentimento mais nobre que ele nutriu justamente por um ser que todos odiavam.

E para finalizar: se o verdadeiro guerreiro Vicking precisa ter cicatrizes, hematomas e arranhões pelo corpo para mostrar sua bravura e coragem… o rapazinho Soluço então PROVOU indiscutivelmente, ao final, ser o maior herói que já existiu ali - com uma resolução final sobre o protagonista, que admito, nunca ANTES eu havia visto em outra animação.

PS: E se ouvirem comparações com AVATAR só pelas cenas de ver o menino montando e dominando um dragão no céu (como no cinema, um imbecilzinho ao meu lado fez), acredite… em Como Treinar O Seu Dragão essa emoção É MIL VEZES MAIOR!!!

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